ASSISTA: Entrevista com o Cmte. Maurizio Spinelli – RBAC 61 e ABRAPHE

ASSISTA: Entrevista com o Cmte. Maurizio Spinelli – RBAC 61 e ABRAPHE

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Entrevista - Cmte. Maurizio Spinelli

O Portal do Piloto entrevistou o Cmte. Maurizio Spinelli, Diretor Regional da ABRAPHE (Associação Brasileira de Piloto de Helicópteros) no Rio de Janeiro, Instrutor de técnicas avançadas de manobras de emergência e Diretor da Helisafe Brasil.

A entrevista foi sobre as mudanças do RBAC 61 onde muitos tem dúvidas e também falamos um pouco sobre a ABRAPHE, a sua finalidade, como associar-se e muito mais.

Assista ao vídeo abaixo:

ENTREVISTA

  1. Quando a Abraphe foi fundada e qual sua finalidade? R: A ABRAPHE foi fundada em 1995 por um grupo de pilotos de São Paulo e a princípio se chamava APHESP. Devido a demanda de associados ter aumentado foi necessário se transformar em ABRAPHE, uma associação sem fins lucrativos que visa fazer a integração entre pilotos, aeronaves e órgãos reguladores. Basicamente para isto que a ABRAPHE surgiu.
  2. Quais os benefícios dos associados e como fazer para associar-se? R: É algo bastante simples, podendo entrar em contato direto comigo ou pelo site da ABRAPHE, que possui um link para novos associados. Quanto aos benefícios é difícil mensurar pois a ABRAPHE tem um trabalho muito silencioso junto aos órgãos, como a ANAC. Quando você se associa além de você conseguir descontos em diversos locais em uma lista que tem no próprio site da ABRAPHE, você recebe convites para palestras, dentre elas a palestra internacional, feita uma vez por ano, que traz palestrantes e autoridades do mundo todo, principalmente sobre segurança de voo e os associados tem esse benefício de poder participar desses eventos com prioridade com relação aos demais.
  3. A Abraphe tem hoje alguma perspectiva para o mercado de asas rotativas nos próximos anos? R: A ABRAPHE está atenta aos movimentos da aviação civil, especificamente no mercado de asas rotativas. Como a ABRAPHE tem a diretoria toda formada por pessoas ligadas à aviação, ficamos muito sensíveis às mudanças. Temos a perspectiva de que este ano (2017) seja o último ano de impacto significativo na aviação. Temos observado uma grande probabilidade de que no final deste ano ou início do ano que vem as coisas voltem a melhorar, baseado nas informações relativas aos investimentos no mercado de offshore, que é o mercado que puxa o mercado de asas rotativas. Então, nossa perspectiva é de que haja uma melhora e a ABRAPHE está atenta a esses movimentos.
  4. Quais foram as principais mudanças da 6ª emenda do RBAC 61? R: A emenda 6 é uma emenda muito significativa, pois trouxe mudanças muito grandes na estrutura de concessão de habilitação para pilotos. No caso especifico para pilotos de helicópteros o que posso destacar como maior importância é a classificação quanto às categorias. A legislação brasileira se aproxima muito da americana com esta emenda, fazendo com que as categorias sejam distintas. Antes desta emenda o que tínhamos eram diversas aeronaves de diversos tipos e agora foram criadas 3 grandes classes, o HMNC, que são aeronaves monomotores à combustão, o HMNT que são as aeronaves monomotores à turbina e o HMLT que são as aeronaves multimotores à reação. Essa foi a grande mudança para nós pilotos de helicóptero, a aproximação da legislação americana e esta categorização.
  5. Pergunta do internauta Pedro Napoleão: “Uma pessoa que possui o R22 na carteira está apto a voar de imediato um R44?” R: Não. A partir do momento que a pessoa checa o R22 não necessariamente ela está apta a voar o R44. De acordo com a SFAR 73, regulamentação especial dos Estados Unidos, existe um número específico de horas para que se consiga a habilitação no Robinson 22 e no Robinson 44. Inclusive, é legal deixar claro que no caso de outras aeronaves o treinamento pode ser com um piloto comercial, mas no caso específico do Robinson 22 e 44 tem que ser com instrutor e tem um mínimo de horas, não podendo ser um instrutor recém formado. No caso da classe HMNC, existe essa divisão entre Robinson 22 e 44.
  6. Pergunta do internauta Ricardo Varella: “Quando você quer rechecar, por exemplo, a classe HMNC, onde se enquadra o R22 e o R44, você pode optar por realizar o processo na aeronave mais barata da categoria, nesse caso o R22? R: Eu te aconselho, como estamos em crise, a priorizar a máquina que você esta voando atualmente. Se você for instrutor e estiver voando muito no Robinson 22, faça o recheque nele pois vai valer por 24 meses. A reciproca é verdadeira, se estiver voando mais o Robinson 44 faça no 44.
  7. A hora de voo, na CIV, passa a ser contada na classe ou permanece individual por máquina voada? R: Se você entrar na CIV digital a partir desta mudança você vai ver que a partir do momento que você lança um voo, não mais aparece o que era o antigo tipo, por exemplo no caso do Robinson 44 aparecia R44, agora aparecerá HMNC. Nada impede que a pessoa se quiser na CIV de papel, ou um num formulário de Excel fazer a contagem de horas dele por tipo, para controle dele. Mas no caso especifico da CIV digital a contagem é por classe.
  8. Pergunta do internauta Tiago Wagner: “Tenho um amigo que voa um Bell 206 Jet Ranger particular e me chamou para realizar duplos com ele. Não tenho a classe HMNT, mas ele possui INVH válido. Ele pode me dar o ground e colocar a hora para mim como treinamento, até que eu cheque?” R: Ele pode sim te dar treinamento, pois ele é instrutor de voo. O que acontece é o seguinte: Como você não tem essa classe ainda, você vai precisar fazer no minimo 8 horas de treinamento. Dessas pelo menos 2h precisam ser no modelo que você vai checar na frente. Então não adianta fazer 8h de voo no Bell 206 e querer checar no Robinson 66, será indeferido seu processo. Outra coisa que precisa ficar claro, é que a aeronave não pode ser aeronave TPX (táxi aéreo) senão não vai conseguir contabilizar as horas. A aeronave precisa ser particular ou instrução.
  9. Como piloto, você vê essas mudanças do 61 com bons olhos no tangente à segurança de voo? R: Cmte Werneck, eu não acho que de imediato teríamos problemas. Importante dizer que a ABRAPHE participou ativamente dessas mudanças no RBAC 61 principalmente no que tange esta emenda. Tivemos diversas reuniões com a ANAC em Brasília, pois são mudanças importantes. Não vejo problemas imediatos, o que vejo é que exite uma concessão do poder público acreditando no projeto que mandamos para eles e existe uma facilitação imediata para checar aeronaves, houve inclusive um barateamento. O que precisamos é lidar com responsabilidade, elevando nossa grau de profissionalismo e seriedade, por ser uma atividade delicada. A partir do dia 30 de junho deste ano (2017) existirá mais uma concessão da Anac, onde dentro de uma mesma classe se precisar incluir uma aeronave que nunca voei, poderei fazer o check com um colega que tenha PCH, não precisando pedir examinador credenciado ou INSPAC. 
  10. Segundo o RBAC, tem um trecho que diz que aeronaves com tripulação mínima de 02 pilotos e com peso máximo de decolagem superior a 5670 kg não se enquadram em classes e continuam como tipo. Sabe citar exemplos dessas aeronaves? R: Claro. Poderia usar por exemplo para facilitar o AW139, máquina muito utilizada para offshore e por exemplo o S92, da Sikorsky, que continua sendo tipo. 

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