Aeronavegabilidade: Parte 2

Aeronavegabilidade: Parte 2

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Princípios da Aeronavegabilidade Básica – Parte 2

Nas semanas anteriores o assunto foi Aeronavegabilidade e sua importância para o tripulante – mais do que a garantia da segurança de todos a bordo, a determinação da aeronavegabilidade da aeronave é responsabilidade do Comandante. Após ser projetada e fabricada, a aeronave está em condições aeronavegáveis.

Para manter a situação de aeronavegabilidade, a aeronave deverá ser “mantida em condições seguras de voo”, ou seja, qualquer item que possa afetar a segurança deverá ser corrigido – e sem alterar as condições aprovadas no projeto de tipo.

O projeto de tipo inclui, como visto na coluna anterior, o cumprimento de uma série de requisitos. A comprovação de alguns requisitos por vezes é baseada em uma “safe life” – um período em que a probabilidade de falha do componente é, estatisticamente, baixa.

Após esse período, o componente deve ser trocado, uma vez que, estatisticamente, a expectativa de falha aumenta e pode ultrapassar os limites apresentados para a Autoridade no processo de certificação.

Uma regra que vale na maioria dos casos é que quanto menor o intervalo, mais crítico o item é. Assim, o cumprimento do programa de manutenção recomendado pelo fabricante é, em primeira análise, condição primordial para a manutenção da aeronavegabilidade.

O caso de modificações na aeronave é o mais óbvio quando falamos de alterar o Projeto de Tipo. Mas a utilização de partes e componentes que não estejam listados no Catálogo Ilustrado de Partes (IPC) da aeronave também é uma modificação, e toda modificação deve ser aprovada.

Danos estruturais devem ser reparados – e os dados dos reparos devem ser aprovados. Diretrizes de Aeronavegabilidade devem ser cumpridas no prazo e da maneira requerida – em uma coluna futura falaremos sobre as Diretrizes de Aeronavegabilidade – o assunto é muito importante para ser discutido juntamente com outros.

A mensagem que deve ficar é que nunca se deve negligenciar uma diretriz de aeronavegabilidade. Nunca. Em hipótese alguma. Sob nenhum pretexto.

Lembra da regra do “menor o intervalo, maior o risco”? Os problemas mais comuns que afetam a aeronavegabilidade e, portanto, a segurança das aeronaves, são por vezes os mais simples, que estão no AFMou no manual de “servicing” das aeronaves – baixo nível de óleo no motor, vazamentos hidráulicos, pressão inadequada nos pneus, desgaste acentuado dos freios.

Vale muito a pena investir num pré-voo bem feito.
Mas de onde saíram esses requisitos? Na próxima coluna falaremos sobre a ICAO.

Emerson Schmidt – Engenheiro Aeronáutico

Emerson Schmidt é Eng Aeronáutico. Já inspecionou aeronaves de praticamente todos os fabricantes, e participou de auditorias e inspeções em aeronaves em 15 países. Dúvidas, críticas e sugestões: xmt@xmtaviation.com.br

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