Parque de abastecimento de aeronaves – PAA

Parque de abastecimento de aeronaves – PAA

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RIO DE JANEIRO – No passado não muito distante, os aeroportos centrais contavam apenas com gigantescos caminhões-tanques (Caminhão Tanque Abastecedor – CTA)[1], que eram os responsáveis pela operação de reabastecimento das aeronaves, por meio de bombeamento do líquido inflamável. Embora esse método de abastecimento ainda seja utilizado em pequenos aeroportos e em aeronaves de pequeno e médio porte, na maioria dos aeroportos centrais, essa forma deu lugar aos grandes dutos subterrâneos de combustível, que fazem parte do tecnicamente chamado Parque de Abastecimento de Aeronaves – PAA.

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Embora a insistência na correta denominação do complexo de abastecimento de aeronaves possa, inicialmente, parecer um preciosismo, esta se justifica pelo grau de tecnicidade e padronização de termos que a aviação exige por ser uma atividade internacionalmente regulada por um organismo das Nações Unidas.

Os Parques de Abastecimento de Aeronaves, de acordo com a Resolução nº 17 da ANP, em seu artigo 2º, inciso XV, são:

XV – Parque de Abastecimento de Aeronaves (PAA): conjunto de instalações fixas, compreendendo tanques, equipamentos e prédios (administração, manutenção e outros), com a finalidade de receber, armazenar e distribuir combustíveis de aviação, localizado dentro de aeródromo público ou privado, que atenda às normas da Autoridade Aeronáutica, da administração aeroportuária local, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), do órgão ambiental competente e às posturas municipais;

É importante esclarecer que mesmo com a existência do PAA, as aeronaves não vão até eles, mas o contrário. A posição de estacionamento das aeronaves é área de operações, o chamado box de parada, conforme será visto a seguir.

Pelo sistema de dutos subterrâneos, há um complexo de tanques e dutos, que trazem o combustível de aviação da refinaria, por meio de oleodutos, até a posição de estacionamento da aeronave.

Os dutos de combustível de aviação são pressurizados, e interligados com tanques que têm capacidade de armazenamento de milhões de litros de combustível.

No reabastecimento por este sistema, conecta-se uma mangueira no hidrante (bocal de solo), que é conectada a um caminhão de leitura volumétrica chamado servidor de hidrante para abastecimento de querosene para aeronaves – SRV (veículo que contém módulo de abastecimento constituído de carretel de mangueira, sistema de filtragem, medição e controles).

O carretel de mangueira é conectado no bocal do tanque da aeronave, geralmente localizado sob as asas do avião. Quando ambas as mangueiras estão conectadas bocais, abre-se uma válvula, por meio de um comando de gatilho tipo deadman, e o combustível flui do duto para as asas do avião, devido à pressurização do duto que pode ultrapassar a vazão de 500l/min.

Como as operações são extremamente dinâmicas e custosas, não é de interesse das empresas aéreas manter os seus aviões em solo, nos aeroportos – há que se mencionar que são pagas taxas de estacionamento para as aeronaves, que aumentam progressivamente conforme o tempo utilizado.

Toda a preparação das aeronaves para o voo é feita de forma simultânea e concentrada em um único local.

Após o pouso, a aeronave se dirige à posição de estacionamento, ou box, onde já é aguardada para diversos serviços, como a comissaria (serviço responsável pela alimentação de tripulantes e passageiros), limpeza, pessoal de manutenção (responsável pelas condições gerais da aeronave e pelo acompanhamento do reabastecimento, junto com os pilotos), pessoal de rampa, empresa de abastecimento de combustível e pela tripulação – em caso de troca. Assim, todas essas atividades são realizadas simultaneamente e no mesmo local, ou seja, a área de operação de abastecimento da aeronave.

Com relação à tripulação, apenas para uma breve introdução sobre o assunto, que será abordado detalhamento mais adiante, tem-se os tripulantes técnicos (piloto em comando e o piloto segundo em comando) e os comerciais (comissários). Um dos pilotos, geralmente o segundo em comando, é o responsável por descer da aeronave e realizar a vistoria externa do avião em todas as suas escalas.

Portanto, falar em posto de reabastecimento de aeronaves, como aqueles nos moldes dos que atendem automóveis, como um local onde as aeronaves seriam deslocadas para ser reabastecidas é uma imprecisão terminológica que pode motivar entendimentos equivocados acerca desta complexa e perigosa operação.

[1] ABNT- NBR 13310

Dr. Ermano Monteiro para o Portal do Piloto

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