Coluna: Aeronavegabilidade

Coluna: Aeronavegabilidade

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Princípios da Aeronavegabilidade Básica – Parte 1

Na semana passada falamos sobre o que é Aeronavegabilidade – e além disso, porque é importante conhecer esse assunto.

Uma aeronave está aeronavegável se está de acordo com seu Certificado de Homologação de Tipo, e se está em condições seguras de voo – em outras palavras, se foi produzida para ser segura e se houve manutenção para que permanecesse segura.

A produção de uma aeronave envolve muitos fatores (falaremos sobre isso em colunas futuras!) mas, para essa semana, falaremos sobre o Projeto e a Fabricação.

Uma aeronave é projetada (e testada!) para cumprir os requisitos de segurança – que se encontram listados, por exemplo, nos FAR 23 ou 25 (para aeronaves de asa fixa); e FAR 27 ou 29 (para as de asas rotativas).

A certificação de uma aeronave costuma levar até 5 anos, e inclui a comprovação de mais de 3000 requisitos regulamentares e algumas centenas de horas de voo dos protótipos.

Ao final desse processo, são emitidos o Certificado de Homologação de Tipo e a Especificação de Aeronave (as siglas em inglês são TC e TCDS).

Para se ter uma ideia do custo desse processo, basta ver a tabela de emolumentos da ANAC – o código 4269 apresenta um exemplo do emolumento pago pelo fabricante pelo processo de certificação de uma aeronave (neste caso, de R$ 7.720.743,94).

Após investir esses recursos no desenvolvimento do projeto, a empresa interessada deverá ter seu sistema de controle e garantia da qualidade auditados e aprovados pela autoridade aeronáutica, para ser autorizada a “montar” a aeronave.

Podemos fazer uma analogia com as montadoras de carros japonesas que se instalaram no Brasil. De fato, esse controle de fabricação é mais comum do que se imagina. Se não fosse assim, teríamos projetos complexos de Arquitetura (museus, por exemplo), sendo construídos por pedreiros de final de semana, sem qualquer supervisão.

Assim, após o término da fabricação da aeronave, o departamento de Qualidade do Fabricante declara que a aeronave está de acordo com (ou “conforme”) o Projeto de Tipo aprovado. É emitido, então, o Certificado de Aeronavegabilidade da aeronave.

E como manter esse status de “aeronavegável”? Conheceremos sobre Manutenção na próxima coluna!

Emerson Schmidt – Engenheiro Aeronáutico

Emerson Schmidt é Eng Aeronáutico. Já inspecionou aeronaves de praticamente todos os fabricantes, e participou de auditorias e inspeções em aeronaves em 15 países. Dúvidas, críticas e sugestões: xmt@xmtaviation.com.br

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